Sobre o bem-estar da reputação familiar versus a liberdade do ser

Renata e Aurora tem em comum, além de laços consanguíneos e uma mãe extremamente tóxica, a dor oriunda do peso das expectativas que lhes são impostas. De Aurora é cobrada a postura de Renata quando possuía a sua idade através das comparações. De Renata é cobrada a perpetuação da família através de um relacionamento “de bom gosto” para “a Família”. Letícia é a peça chave desta trama, embora pouco seja citada. É por amor a Letícia e pelo direito de ser e sentir-se livre que Renata retorna ao seio familiar com a ideia de comunicar a sua mãe o caminho que ela trilha e pretende perdurar.
Nos primeiros parágrafos se percebe a complexidade daquela pequena família. Em poucas páginas foram transcritas, através de Renata, a história de uma grande parcela do público lésbico. A leitura desse conto é fluida e extremamente agradável. Dia consegue imprimir a gama de sentimentos e sensações que perpassam pelas irmãs. Imergimos nesse mundo sombrio sem sequer percebermos. O desfecho é desenhado no decorrer das linhas e fica a pergunta para reflexão: Até que ponto é válido anular-se pelo bem de algo que só lhe faz mal mesmo sendo as expectativas de seus amados pais?
Resenha por: Nay Rosário


Imagem: Blog Parênteses

A Revelação é um conto lgbt+ curto e a familiaridade da história leva o leitor facilmente para dentro dela

Se passa em um único ambiente, essa simplicidade de composição narrativa e a veracidade do que acontece ali, faz com que a gente sinta que entrou naquela casa junto com protagonista na primeira cena. Essa proximidade com a realidade não é interrompida em nenhum momento, do mais comum ao mais dramático. São três mulheres na história e vemos o ponto de vista de duas delas, seria legal e enriquecedor para o conto se pudéssemos ver o ponto de vista da terceira também. Muito da substância da história vem da ligação emocional dessas três mulheres, mãe e filhas. Na cena que dá título ao conto, essa ligação é como uma corda tensionada entre as três mulheres, quando uma puxa a outra sente. E a gente sabe o que acontece se uma corda frágil e tensionada é puxada demais.

O conto começa com uma personagem nos levando para dentro da casa e termina com uma outra saindo, mas nós leitores continuamos lá dentro imaginando como aquela família vai seguir em frente.

Resenha por Isa e Pétala – Blog Parênteses