o relógio parou de marcar as horas. o fusca enferruja na garagem. as flores murcharam no vaso da sala. as plantas definham no jardim. o móbile de borboletas balança sobre o berço vazio. a vasilha de ração não foi mais preenchida. os gatos fugiram para não morrerem de fome.

a louça acumulada na pia toca uma canção com as gotas da torneira mal fechada. a tevê em estática permanece ligada junto com algumas lâmpadas. tudo cessará em alguns dias quando a energia for cortada.

não pagos permanecerão os boletos que abarrotam a caixa de correio com revistas de famácia e panfletos com as melhores promoções. ainda se imprimem panfletos. não é curioso?

o silêncio da casa é interrompido por uma sinfonia orquestrada pelo vento. uma janela que bate; silvos e assovios; coisas que caem. a poeira desenhando simulacros que lembram georgia o’keeffe.

o mundo segue ruidoso.
quinhentos mil cortejos tocam a marcha fúnebre.
o brasil é uma casa abandonada.

Photo by Gerhard Reus on Unsplash

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