uma caixa com cem livros chegou semana passada, na terça, aqui em casa. meu livro amado, esperado, que eu desejava tanto ver impresso.

quando a caixa chegou eu não consegui sentir nada. uma voz dentro da minha cabeça dizia: “você não fez mais que a obrigação”. não consegui fazer mais nada no resto da semana. uma tristeza profunda me invadiu. F. me disse que estava esperando isso. que da última vez, me comportei igual. eu não lembrava.

fui pra terapia na quinta e quando minha analista me perguntou o que eu sentia, eu só sabia dizer da tristeza, mas não do motivo. tudo nebuloso por trás das lentes dos meus óculos manchados de lágrimas.

hoje eu tive um insight, finalmente.

eu não consigo comemorar porque nunca tive o direito de comemorar. não tive festa de formatura na faculdade porque faltava dinheiro. não comemorei a aprovação em primeiro lugar no mestrado e em segundo no doutorado porque “não estava fazendo mais que a minha obrigação”. Não comemorei minha aprovação em concurso público porque “já não era sem tempo”.

lembro que depois da minha primeira crise de despersonalização eu fiquei obcecada em comemorar meu aniversário. eu não tive festa de aniversário até os 30 anos e não fazia questão delas. mas me dei conta que hoje gosto de comemorar meus aniversários porque não foi algo que eu criei, construí ou trabalhei para conseguir. meu aniversário foi a única coisa que me foi dada.

não é paradoxal que eu comemore algo pelo qual eu tenha zero responsabilidade e me sinta mal quando consigo algo pelo qual trabalhei muito? me pergunto se isso é parte do trauma de ter sido abandonada ou se é da síndrome de borderline ou tudo-junto.

mas independentemente do que for, eu sei que preciso que isso mude. eu tenho direito de celebrar minhas conquistas. eu quero ter prazer em colher os frutos do meu trabalho. eu estou cansada de me autosabotar.

mês passado, uma amiga tirou cartas para mim e naquele momento, ela disse algo que eu não entendi e que agora reverbera muito: se eu não tirar proveito do momento presente eu posso perder a capacidade de saborear as coisas no futuro.

então, let’s celebrate, bitches!

falando em celebração, vai sair uma entrevista minha na Revistaria da @rialivraria que sai no final do mês com o tema Mulheres, Luta e Liberdade. Também tem um poema meu na antologia “Antes que eu me esqueça – 50 autoras lésbicas e bissexuais hoje” produzida pela Quintal Edições.

tenho muito a comemorar. vem brindar comigo?

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